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GB Entrevista: Do sonho a realização – Profº Diego Rossi

Há 20 anos o jiu-jitsu brasileiro ganhou maior notoriedade com as fitas das lutas realizadas pelos membros da família Gracie nas primeiras edições do UFC. Embora o MMA fosse o principal atrativo, as técnicas de bjj utilizadas para finalizar grandes adversários, por vezes, roubavam a cena e mostravam ao mundo a eficiência da arte suave. A curiosidade que envolvia os telespectadores do maior evento de MMA do planeta foi a mesma que despertou o sonho da faixa preta em Diego Rossi.

Hoje o garoto que aos 13 anos admirava aos golpes aplicados por Royce Gracie, carrega na cintura a tão sonhada faixa preta e no coração a missão Jiu-Jitsu Para Todos. Ao longo dos seus 19 anos de caminhada nos tatames, o professor Diego acumulou diversos títulos em campeonatos internacionais, superou adversidades e hoje é responsável pela Gracie Barra Londrinha. Conheça a história do professor/ responsável pela GB Londrinha – PR.

[GB Brasil] 1- Por trás de um faixa preta há uma longa jornada, como e quando você conheceu a arte suave?

[Profº Diego Rossi] Meu primeiro contato com a arte suave ocorreu em meados de 1997, quando assisti uma fita cassete do evento, UFC 1, em que o grande Royce Gracie finalizou vários atletas de variados pesos e modalidades, sagrando-se o primeiro campeão. Já em 1998, aos 13 anos de idade na cidade de Londrina-PR, iniciei meus treinamentos com vários professores em um projeto social local, sem, entretanto, manter uma regularidade, dadas as minhas condições financeiras na época. Aos 16 anos e a ainda com a mesma paixão pelo esporte, decidi pedir apoio aos meus pais para ter melhores condições de treinamento; contudo, devido a má fama do jiu-jitsu – devido a rixa entre as academias, e simplicidade do meu pai, fui proibido de ingressar no esporte. Certo do meu objeto, me mudei para outro país com o intuito de me graduar faixa preta. Eu não imaginava, mas treinaria em uma das maiores e melhores academia da Europa e do mundo, a GB – Benfica/Lisboa, professor Alex Machado. Desde então, já são 19 anos praticando o esporte, 5 anos como faixa preta, 3 deles dedicados à Gracie Barra Londrina.

Já teve experiência em campeonatos? Se sim, conte nos seus principais títulos.

Já tive experiência em campeonatos regionais tanto quanto internacionais – além do MMA. No Jiu-Jitsu, apenas para citar alguns, fui tricampeão do Grand Slam de Lisboa da IBJJF na faixa-marrom adulto (categorias por peso, absoluto e por equipes), bicampeão nacional português, campeão por peso e terceiro colocado no absoluto do Campeonato Ibérico, três vezes terceiro colocado no Campeonato Europeu, segundo colocado na seletiva de Abu Dhabi e Campeão da Copa Lisboa, tendo ainda ficado em terceiro lugar no absoluto deste último.

Nos conte como nasceu o sonho de ter a sua própria escola Gracie Barra.

Em Portugal, ainda na roxa, fui escalado como instrutor das turmas de fundamental e infantil. Junto ao trabalho desenvolvido com o time de competição – que se repetiu por três anos, meu professor Alex Machado me aconselhou a abrir a minha própria escola. Esta ideia em um primeiro momento, me assustou um pouco, já que eu não sabia ao certo como conciliar minhas pretensões como atleta e a atividade de lecionar Jiu-jitsu em uma escola própria.

Com o nascimento da minha primeira filha, Lara, minha esposa, Raquel, e eu decidimos voltar para nossa cidade natal, onde nasceu o sonho e a possibilidade de fundar a primeira escola Gracie Barra. Lecionei em pequenos tatames nos fundos de academias de musculação durante 18 meses, mesmo período em que nascerem Lana e Renzo, meus outros dois filhos. Senti a necessidade de expandir a atividade, uma vez que a aceitação por parte dos alunos e da comunidade foi bastante satisfatória. Nascia assim, no dia 04.05.2015,  após a Conferencência da Gracie Barra na cidade de Campinas-SP e motivado pelo ambiente criado por nosso Mestre Carlos Gracie Jr., a Gracie Barra Londrina.

Quais os principais desafios enfrentados por você como dono de escola e professor?

Embora tenhamos o suporte da GB Brasil, para nós professores, creio que a maior dificuldade  se resuma a 3. O primeiro consiste no gerenciamento de pessoas. Quando digo pessoas me refiro não apenas ao staff, mas às necessidades do ser humano quanto a vaidade, sejam elas em campeonatos ou na própria academia. Logo depois vem o rápido crescimento da nossa Escola e dos resultados em competições. Esses dois fatores são obstáculos a serem vencidos – embora me tragam muita felicidade, pois podem nos conduzir ao engano de priorizar determinadas áreas e esquecer da nossa missão, o Jiu-jitsu para todos. Por fim, o terceiro é a conciliar a vida profissional com a particular, porque a jornada empresarial impõe um determinado “jogo de cintura” que não é próprio de todos os instrutores, independente do conhecimento que tenham sobre o bjj. Da mesma forma, vejo como desafio a necessidade de mostrar para toda a comunidade a verdadeira arte suave, ou seja, mostrar que a nossa modalidade não está ligada ao vandalismo, tão pouco a rivalidade entre academias.

Quais as expectativas para o futuro da sua escola?

Minhas expectativas estão ligadas ao crescimento, de maneira não exagerada, da Escola e dos meus alunos, tanto no aspecto competitivo quanto no modo de pensar e viver o Jiu-jitsu, como uma filosofia de vida. Espero também poder expandir a Gracie Barra para outras regiões da cidade, o que já uma realidade em dois bairros, bem como outras cidades, como já ocorreu em Maringá-PR. Como meta já para este ano de 2017, espero dobrar a quantidade de alunos e de horários de aula da Escola, além de implementar uma GBshop física na unidade.

Deixe um recado para aqueles que querem fazer da missão JIU-JITSU PARA TODOS seus sonhos.

A mensagem que deixo para os interessados na missão é que antes de assumir o lema “Jiu-jitsu para todos” é necessário compreender a “arte-suave” para além de um mero acumulado de técnicas, tampouco limitá-la ao mundo das competições, mas sim como um estilo de vida, a forma como você trata seu semelhante, seja ele seu parceiro de treino ou não, a maneira de enxergar o seu corpo, a mente e o espírito, de lidar com a vitória e a derrota e, principalmente, o modo como você transmite esse conhecimento aos alunos. Só então, quando você for muito mais do que um professor de luta, conhecedor de técnicas, poderá assumir a missão “Jiu-jitsu para todos” de uma maneira muita  mais prazeirosa e completa, uma vez que a competição, mesmo sendo importantíssima, representa apenas uma parte do que é o Jiu-jitsu.

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