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GB Entrevista: A vida de um faixa rubro-negra – Mestre Pascoal Duarte

Vermelho e preto, essas duas cores “incomuns” à realidade de muitos praticantes da arte suave, fazem parte da graduação do nosso esporte. Embora a faixa rubro-negra seja considerada uma raridade – por conta do tempo de treino necessário para alcançá-la -, há entre os membros da família Gracie Barra, verdadeiras lendas vivas do nosso esporte que a carregam na cintura.

O Mestre Pascoal Duarte, colaborador regional da GB em Roraima (extremo norte do Brasil), tem a honra de carregar na cintura a graduação que poucos alcançaram. Mas como será a trajetória de um guerreiro que ultrapassou o sonho da black belt? Tivemos a honra de entrevistar o Mestre Pascoal e conhecer um pouco da jornada dessa importante personalidade do nosso esporte.

[GB Brasil] A faixa vermelha e preta não é uma graduação comum entre os milhares de praticantes da arte suave. Mestre, conte-nos um pouco mais de como começou a sua jornada nos tatames.

[Mestre Pascoal Duarte] R: Comecei a treinar aos 14 anos, na década de 70, no Rio de Janeiro. Vivíamos o auge da ditadura militar, a ordem para os estudantes era ir de casa para o colégio e do colégio para casa.Para um garoto que vinha de uma cidade do extremo norte do pais, acostumado com a liberdade do campo,  morar em apartamento, com portas trancadas e janelas gradeadas era um tédio sufocante.

Um dia depois da aula um amigo da minha turma, Sérgio Penha, me convidou para ir em uma academia de Jiu-jitsu. Aceitei na hora. Era um longo da trajeto da escola até à academia, que somado as duas horas e meia de treino, me renderam um inesquecível bronca da minha avó – que pensava que eu tinha sido sequestrado. Treinávamos em clube com um professor judoca, Osvaldo Alves, muito amigo do Mestre Reyson Gracie. Era comum treinarmos com lutadores de várias modalidade e foi neste ambiente que aprendi a lutar.

“Muitos me chamam de mestre, eu me vejo no jiu-jitsu ainda como um garoto que depois da aula foi treinar, gostou e nunca mais parou, continua treinando.”

Nos anos 80, segui treinando, competindo e dando aulas. Tudo conciliado com o curso de educação física na Universidade Estadual do Rio de Janeiro e ainda voltava para treinar à noite. Já na década seguinte, voltei às origens, passei a morar na beira do rio em uma área de floresta, na cidade de Boa Vista, a capital de Roraima.

Dei início no ensino do Jiu-Jitsu no estado. Junto a outros renomados atletas e amigos da época saímos para competir em todas as regiões do pais, nos brasileiros e mundiais da CBJJ. Fundamos uma federação FRJJ (Federação Roraima Jiu-Jitsu), promovemos diversos campeonatos e os primeiros MMA.

Em 2013 recebemos o reconhecimento desta jornada com a graduação da faixa coral da CBJJ, concedida pelo Mestre Carlos Gracie Jr. Muitos me chamam de mestre, eu me vejo no jiu-jitsu ainda como um garoto que depois da aula foi treinar, gostou e nunca mais parou, continua treinando.

[GB BR] Conte-nos como nasceu o sonho de ter a sua própria escola Gracie Barra e o que significa para o senhor hoje representar o escudo vermelho.

Mestres Pascoal Duarte e Carlos Gracie Jr.

[P. D.] Ainda na década de 90, no Rio, fui morar e trabalhar na Barra da Tijuca. Ficou difícil para eu ir treinar em Copacabana. Não hesitei, peguei meu kimono e me inscrevi como aluno na GB. Fui recebido com muita consideração e amizade por todos, especialmente pelo Mestre “Carlinhos” – daí vem a nossa amizade. Respeito e gratidão ao Mestre.

Nos anos seguintes a expansão da GB pelo mundo, coincidiu com crescimento da arte suave em Roraima. Alguns dos meus alunos, agora professores, como, Márcio Antony, Osvaldo Neto, Rodrigo Carvalho, Fabiano Carvalho, Sérgio Filho, Rita de Cássia e Raul Lima Jr – todos diplomados pela CBJJ, foram para cidades em outros estados do Brasil, EUA, Canadá e Europa.

Embora meus alunos tenham começado o trabalho por conta própria, percebemos a nossa afinidade com a GB, então naturalmente nos reaproximamos e decidimos continuar a nossa história representando o escudo vermelho. Demos início ao processo de transformação das nossas academias em escolas GB. Hoje fazemos parte da família com 10 escolas, no Brasil, Estados Unidos, Canadá e Suíça.

[GB BR] Qual a importância da sua unidade hoje para o fortalecimento da comunidade do jiu-jitsu no seu estado?

[P. D.] Continuamos liderando Jiu-Jitsu de Roraima e daqui estamos formando professores faixa pretas diplomados pela GB, CBJJ e IBJJ para atuar em cidades de vários países, isto é uma possibilidade de formação profissional para centenas de jovens do nosso Estado, uma alternativa valiosa fora da formação tradicional das universidades e cursos técnicos. Esta contribuição valoriza o jiu-Jitsu e fortalece positivamente o nosso esporte na comunidade.

[GB BR] Quais as expectativas para o futuro da sua escola?

[P. D.] Seguir contribuindo com a visão do Mestre Carlos Gracie Jr no extremo norte do Brasil e nesta área do planeta, incluindo, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Caribe e América Central. Temos professores atuando em todos estes países em processo de transformação para a GB.

“Viver nossos sonhos é nossa missão nesta vida. Perseverar nesta trilha nos assegura uma jornada feliz.”
(Mestre Pascoal Duarte)

 

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